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Designer do twitter dá dicas para sites


Designer brasileiro do Twitter fala de novidades e ainda conta como deve ser um bom site
Vitor Lourenço tem só 22 anos mas é um dos responsáveis pelo fenômeno da internet de 2009: o Twitter. O designer, nascido em Campinas, começou a fazer sites por brincadeira na escola, tentou cursar design gráfico, trabalhou na Globo.com e Yahoo! Agora está por trás de tudo o que você vê e faz no Twitter.

Você começou cedo fazendo design de sites. Como aprendeu e como passou a fazer sites grandes?
Comecei desenvolvendo sites para uso pessoal. Em 2002, criei uma aplicação online para um grupo de amigos — uma espécie de Facebook — onde trocávamos mensagens e arquivos durante os últimos anos da escola. Depois de uma grande repercussão no colégio, ví que realmente poderia construir coisas interessantes. Sempre fui fascinado pela comunicação online. Meus esforços e pesquisas pessoais sempre estiveram ligados a este tema.

Em 2006, me inscrevi no curso de graduação em design gráfico do Istituto Europeo di Design. Como já estava no mercado, muitas oportunidades foram aparecendo ao longo do curso. Senti que seria mais proveitoso abandoná-lo ao receber o convite para trabalhar na Globo.com (isso aconteceu logo no final do primeiro semestre, quando tinha 18 anos).
Foi uma das melhores decisões que tomei até hoje, pude aprender muito mais na prática trocando conhecimento com alguns dos melhores profissionais do mercado nacional.Após trabalhar dois anos na Globo.com, tive uma passagem pelo Yahoo! Brasil, onde trabalhei em um novo produto que será lançado em breve no mercado brasileiro.

O que você acha que é importante na hora de desenhar um site?
Conhecer quem são os seus usuários é o princípio básico. Depois de entender suas motivações, procuro sempre projetar soluções para um problema específico e promover uma experiência satisfatória e prazerosa com pequenos detalhes, estéticos ou funcionais. Minha principal influência é o Design Suíço, no qual a função define a forma. Objetos que são projetados na Suíça são discretos, desenhados cuidadosamente (com atenção aos detalhes) e a forma é gerada de acordo com sua função. É um trabalho meticuloso.

Os sites brasileiros, em geral, parecem ser mais simples e com design mais limpo que os sites norte-americanos . Você concorda com isso?
Design mais limpo não quer dizer necessariamente um design mais eficiente. Mesmo se analisarmos apenas a estética deles, percebemos que os principais sites brasileiros (em sua maioria portais) estão muito aquém dos produtos norte-americanos. A CNN.com possui uma interface e experiência de uso excelente, assim como o NYTimes.com, que vem fazendo um trabalho impressionante de produção de conteúdo interativo e exclusivo para a internet. Dificilmente encontramos algo assim no Brasil, onde muitos produtos jornalísticos ainda tratam seus sites como um grande veículo estático.

Como você foi chamado para redesenhar o Twitter? E há quanto tempo está lá?
Eu recebi o contato do Evan Williams (CEO do Twitter) no ano passado. Ele visitou um software que desenvolvi, chamado FoodFeed. Evan se interessou pelo conceito da aplicação e pelo meu trabalho. Fechamos um contrato remoto e posteriormente viajei para São Francisco para acompanhar a fase final do projeto de redesign do Twitter (em setembro do ano passado). Fizemos os últimos ajustes e acompanhei um pouco do trabalho árduo dos engenheiros em tornar tudo funcional.

Hoje trabalho full-time como Designer de Produto no Twitter. Minha rotina divide-se entre o design e implementação de novas funcionalidades e melhorias na experiência de uso do Twitter. Trabalhamos em um ambiente ágil com poucas interrupções e espaço para concentração e foco e, ao mesmo tempo, temos um ambiente bastante descontraído.

O que você levou em consideração na hora de mudar o design do site?
Procurei simplificar a experiência de uso do Twitter, aplicando alguns conceitos de simplicidade fundamentados por John Maeda: encolher, esconder e incorporar. Dess a maneira, o serviço não perdeu recursos, mas estes foram distribuídos e agrupados da melhor maneira. É o mesmo princípio de um canivete suíço: enquanto você utiliza um recurso, os outros ficam escondidos. Além disso, encolhi a navegação de conteúdo do usuário, unifiquei os itens em uma navegação lateral.

Na estética, suavizei algumas linhas divisórias, retirei espaçamentos desnecessários e melhorei a tipografia e acabamento visual dos elementos para deixar a aplicação mais consistente, com a identidade visual do Twitter. É bom mencionar que isso ajudou a diminuir o número de requests (pedidos) feitos ao servidor, com uma maior otimização de código e introdução do AJAX para aprimorar o tempo de resposta na utilização do site.

Por que o layout do site muda várias vezes?
É simples, mudamos para ficar cada vez melhor. No momento estamos efetuando diversos testes de interface com pequenas parcelas de usuários. Recolhemos números de utilização para estudar com cuidado qual a melhor implementação de novas funcionalidades, de forma a atingir a melhor experiência de consumo possível. Os formatos que tiverem melhor performance são aplicados oficialmente no site— este é um processo constante.

O que você acha que é mais importante no Twitter?
Acho que a busca em tempo real e os trending topics são muito interessantes. Em nenhum outro site na internet você consegue saber exatamente o que as pessoas estão pensando sobre determinado assunto naquele segundo. Oferecer uma camada de inteligência que consegue extrair os termos mais mencionados em um determinado espaço de tempo é de extrema importância para os usuários.

Você tem contato com os criadores do Twitter? Quais as impressões que você tem sobre eles?
Todos estão em contato diário com os fundadores, que vêm fazendo um trabalho excelente, jamais visto anteriormente em startups com tão pouco tempo de existência. Além disso, eles projetaram um ambiente de trabalho extraordinário, uma arquitetura sensacional e atmosfera inspiradora. Os profissionais estão extremamente apaixonados e motivados, muitos têm passagens pelo Google e Apple.

Você acha que o Twitter pode ser comprado por uma grande empresa como o Google?
Não podermos descartar possibilidades, mas o Twitter está se tornando uma empresa sólida que pretende continuar mantendo-se independente.

Recentemente alguns planos do Twitter vazaram na internet . Eles refletem a realidade que você vê hoje na empresa?
O que vazaram foram algumas notas de reuniões e outros conteúdos privados da empresa, e nenhum plano considerado oficial ou com veracidade confirmado pelo Twitter.

Qual você acha que será o futuro das redes sociais como o Twitter?
Não gosto de definir o Twitter como rede social. Você pode fazer um uso social, comunicando-se com pessoas de sua rede, mas esta é apenas uma possibilidade. É possível escolher receber atualizações de pessoas ou empresas que você admira, e diversos outros canais que não fazem parte de seu grafo social.

Acredito que estes produtos caminham para ser plataformas onde será possível compartilhar experiências de vida em tempo real e de maneira cada vez mais localizada. O Foursquare é sem dúvida um dos produtos mais quentes deste ano. Baseado em geolocalização, o serviço só está disponível em algumas cidades dos Estados Unidos.

É uma mistura de rede social com desafios e pontuações, na qual você consegue fazer progresso e conquistar achievements e badges de acordo com a participação e frequência com que você visita certos lugares. Além disso, é uma forma interessante de visualizar onde seus amigos estão neste exato momento e saber mais sobre os frequentadores locais, sem necessariamente precisar abordá-los pessoalmente.

Quais são seus planos para o futuro?
No momento estou 100% focado em aprimorar a experiência de uso no Twitter, mas pretendo um dia construir minha própria startup aqui no Vale do Silício.

Quanto tempo do seu dia você passa no Twitter por lazer? E trabalhando nele?
Passo várias horas por dia trabalhando em novas idéias e aprimoramentos de interface e leio novos tweets constantemente. Estar atualizado é um requisito fundamental na minha profissão. A maioria das informações que consumo são recebidas por meio de links no Twitter. Posso dizer que trabalho e lazer caminham juntos, afinal, também aprendo muito observando as diferentes formas de uso do Twitter.

Veja a matéria na Galileu

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